Mahatma Ganghi por ele mesmo

Sandra Regina dos Santos Galvão - Navrattna Mercês

No próximo dia 2 de outubro estaremos comemorando os 140 anos de nascimento de um dos maiores expoentes do século passado, Mahatma Gandhi. Sua grandeza de não se restringe em ter sido um grande místico, nem em ter sido um hábil político. Sua grandeza está em conseguir equilibrar, em si mesmo, dois mundos quase sempre desequilibrados entre si – matéria e espírito. Ele enriqueceu e enriquece milhões de seres humanos. Seu legado não era algo que ele tivesse, mas sim aquilo que era. Suas posses eram praticamente nulas, mas o que ele era foi e ainda é grande, poderosos e belo. Com o “fenômeno Gandhi” a história da humanidade entrou em uma nova fase de evolução. Vamos saber um pouco sobre esse grande homem através de um trecho de sua auto biografia.

Coerências e incoerências
"Admito que há na minha vida numerosas incoerências. Mas como me chamam de mahatma (grande alma), estou disposto a endossar as palavras de Émerson, de que a tola coerência é o cavalo de batalha dos espíritos medíocres.

Acho que vai certo método através das minhas incoerências. Creio que há uma coerência que passa por todas as minhas aparentes incoerências – assim com o há na natureza uma unidade que permeia todas as aparentes diversidades.

Amigos meus que me conhecem têm verificado que tenho tanto de um homem moderno quanto de um extremista, que eu sou tão conservador com o revolucionário. Assim se explica, talvez, a minha boa sorte de ter amigos entres esses tipos extremos de homens. Essa mescla, creio, corre por conta da minha própria ahimsa.
A minha incoerência é meramente aparente, em razão da atitude que tomo em fase de circunstancias várias. Certo tipo de coerência aparente poder ser até uma obstinação real.

Recuso-me a ser escravo de precedentes ou a praticar algo que não compreenda nem possa defender com base moral. Não sacrificarei princípio algum a fim de conseguir vantagem política.

Tive a sorte, ou falta de sorte, de colher o mundo de surpresa. Novos experimentos, ou experimentos velhos em formas novas, geram, por vezes, incompreensão.

Os que acompanham, mesmo por alto, a minha humilde carreira, não podem ter deixado de observar que nunca pratiquei um único ato em minha vida com fim de fazer mal a alguma pessoa ou a um povo.
Não me tenho em conta de infalível; tenho a consciência de que cometi erros do tamanho do Himalaia, mas não me consta que os tenha cometido intencionalmente, ou de ter mesmo alimentado sentimentos de hostilidade a alguma pessoa ou nação, a qualquer espécie de vida, humana ou infra-humana.

Não tenho a consciências de ter praticado em minha vida um único ato por motivo de conveniência; antes, tenho a convicção de que a mais alta moralidade é a mais alta conveniência. Há princípios eternos que não admitem compromisso, e o homem deve estar disposto a sacrificar a sua vida para obedecer a esses princípios.

Nunca fiz da coerência um fetiche. Sou um adepto da Verdade, e tenho de dizer o que sinto e penso, em dado momento, sobre isto ou aquilo, independentemente do que tenha dito anteriormente sobre o assunto(...). Conforme a minha visão se vai tornando mais clara, meus pontos de vista se esclarecem com a pratica diária. Quando modifico deliberadamente a minha opinião, as conseqüências são inevitáveis. Mas somente um olhar apurado é capaz de verificar nisso uma evolução gradual e imperceptível.

Não estou absolutamente interessado em parecer coerente. No meu caminho em busca da Verdade, tenho abandonado muitas idéias e tenho aprendido muitas coisas novas. Velho como sou de corpo, não tenho a consciência de ter cessado de crescer interiormente, ou que o meu crescimento vá estagnar com a dissolução da minha carne. O que me interessa é a minha atitude de prontidão em obedecer ao chamado da Verdade, o me Deus, de momento a momento.
Há princípios eternos que não admitem compromisso, e o homem deve estar disposto a sacrificar a sua vida para obedecer a esses princípios".

Mahatma Gandhi - Autobiografia.

As obras literárias de Mahatma Gandhi, o ícone da luta pela não violencia, entra para o domínio público a partir deste ano, quando terminará a vigência dos direitos autorais sobre seus escritos e discursos. Qualquer pessoa poderá então publicá-los, já que o direito sobre eles termina com 60 anos após sua morte.

Gandhi foi assassinado por um radical hindu em 30 de janeiro de 1948 em Nova Délhi. Embora Gandhi tenha entregue os direitos autorais de suas obras à fundação Navajivan, ele próprio nunca subscreveu a idéia do copyright e nunca apoiou a idéia do direito autoral. Assim, em respeito aos idéias de Gandhi e ao contrario do que normalmente acontece, Reuters Television Jitendra Desai, curador administrativo da Fundação Navajivan não pediu a extensão desses direitos. A Fundação já publicou cerca de 300 volumes das obras de Gandhi, incluindo artigos, cartas, discursos e traduções de sua autobiografia.

“ A minha vida, a partir desta fase, tornou-se tão publica que não há, por assim dizer, um detalhe que não seja conhecido por todos...Concedo um alto valor ás minhas experiências. Não sei se consegui fazer-lhes plena justiça. Tudo o que posso dizer é que não poupei a dor, para que este relato fosse fiel. Descrever a verdade, tal qual ela me parece, e de maneira exata por que a atingir, eis qual foi meu esforço incessante. Neste exercício, meu espírito hauriu uma paz inefável, pois a minha esperança bem-amada foi que os hesitantes reencontrassem aqui a fé na Verdade e no Ahimsa.”

Mahatma Gandhi

Um abraço
Namastê

 

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